Aprenda a construir uma Barra Transpalatina de uma vez por todas

(Vídeo) Tutorial de como fazer uma Barra Palatina em (menos de) 10 min.
Data:

Aprenda a construir uma Barra Transpalatina de uma vez por todas


Materiais Utilizados:

Fio 0.8 ou 0.9 milímetros (a melhor marca é Dentaurum)
Alicate de Corte Pesado
Alicate 74
Alicate 410
Alicate De La Rosa
Caneta de Retroprojetor (ou Lápis de Olho)


1º - Corte (com um alicate de corte pesado) um pedaço de fio 0.8 (ou 0.9) mm de aço com o triplo da distância intermolar.

- Depois, com um alicate 74, retifique toda a extensão do fio.

3º - Comece pelo helicoide central. Segure o fio com a ponta mais espessa do alicate 74, exatamente no centro do fio; e em seguida, dobre as duas laterais do fio até que elas se cruzem.

O comprimento da alça (helicoide central) deverá ser o comprimento mésio-distal da coroa do 1º molar superior.

4º - Em seguida, no ponto de intersecção entre os dois lados do fio 0.8, faça uma dobra de 90 graus até que a extremidade do fio faça um ângulo reto com o helicoide.

5º - Repita esta ação do outro lado.

6º - Ajuste seu helicoide e os braços da barra até que eles fiquem planificados.

7º - O próximo passo é a construção dos braços da barra transpalatina. Para isto, você deverá segurar o helicoide com o alicate 74, e com dois dedos de sua outra mão (dedos polegar e médio), você deverá dobrar os braços da barra para cima, até que estas formem um V.

Leve o conjunto na boca de seu paciente, centralize o helicoide com a rafe palatina e certifique-se que sua barra não toca nenhum ponto do palato.

Não existe nenhuma diferença significante em deixar o helicoide voltado para mesial ou para distal.

Os braços do aparelho deverão tocar passivamente as faces linguais dos molares superiores e o helicoide deverá ficar afastado 2 mm do palato.

8º - Marque o meio das faces linguais dos molares superiores com uma caneta para retroprojetor.

9º - Agora, faça as presilhas da barra transpalatina. Novamente com um alicate 74, segure na marcação recém-criada e execute uma dobra de 90 graus, em direção distal.

É importante você ter em mente que as presilhas de seu aparelho deverão ser sempre introduzidas, de mesial para distal.

10º - Segure o fio um pouco após a dobra de 90 graus com um alicate 410 (na 1º ranhura da ponta do alicate), de forma que este fique vertical e o segmento de fio, horizontal.

Depois segure a extremidade do fio e dobre-a completamente, executando um movimento por cima da ponta do alicate, até que o fio fique em formato de U (voltado para distal).

11º - Com o mesmo alicate, agora insira os dois lados do fio recém dobrado dentro da 1º ranhura da ponta do alicate 410 e aperte-os firmemente até notar o desaparecimento de todos os espaços entre os dois lados do fio (não poderá existir “luz” no meio da presilha).

No momento de apertar os fios que compõem a presilha, certifique-se que os fios não se cruzem.

12º - Segure a extremidade do fio, logo após a presilha, e dobre-a (com o alicate 74) sobre o braço da barra. Corte o excesso de fio com um alicate de corte pesado.

13º - Repita o processo do outro lado.

O sentido das dobras do outro lado deverá ser o mesmo da 1º presilha criada.

14º - Por fim, curve suavemente os braços da barra com um alicate De La Rosa, até que estes se aproximem das paredes laterais do palato de seu paciente, sem entretanto, tocá-las.

Lembre-se que, neste primeiro momento, as presilhas deverão entrar passivamente dentro dos tubos linguais e que ajustes poderão ser feitos para alcançar este feito.


O que você não pode deixar de saber...

A barra transpalatina foi descrita por Reynolds & Arai (1973), sendo confeccionada com um fio de aço 0,9 milímetros com uma alça central em forma de U.

Classificaram-na como um dispositivo fixo ou removível que contorna o palato e une os primeiros ou segundos molares de um lado ao outro da arcada dentária superior.

Esses autores citaram, ainda, a aplicação desse aparelho de forma passiva e de forma ativa.

A aplicação passiva tem seu enfoque na estabilização, mas também pode ser usada para evitar efeitos colaterais indesejáveis durante mecânica ortodôntica.

A barra transpalatina utilizada de forma passiva pode ser aplicada, por exemplo, para manter estável a posição dos molares durante uma mecânica de intrusão da bateria anterior, evitando assim o efeito colateral de mesialização das raízes dos molares.

Ainda conforme os autores, a aplicação da barra de forma ativa pode produzir movimentos de expansão e contração; rotação disto-vestibular e disto-lingual e ainda distalização ou mesialização unilateral.

A barra transpalatina é um importante aparelho auxiliar no tratamento e distribuição de forças.

Assim, durante a confecção da barra transpalatina removível, vários autores concluíram que dever ser feita de maneira a se encaixar passivamente nos tubos linguais para posterior ativação, tomando cuidado com o contorno da mesma junto ao palato para permitir menor desconforto ao paciente.

A confecção da barra transpalatina fixa requer adaptação das bandas nos molares superiores e moldagem de transferência, para posterior soldagem de um fio de aço 0,9 milímetros na superfície palatina das bandas.

A barra deve manter um espaço de 1,0 a 2,0 milímetros do palato, tornando este o dispositivo mais indicado como auxiliar na ancoragem de molares superiores.

Segundo Burstone & Manhartsberger (1988) quando a barra for removível, a confecção com um fio de secção retangular, facilita a utilização das dobras de encaixe das extremidades da barra ao seu tubo (hinge cap).

Burstone (1989) demonstrou as aplicações de um arco confeccionado com fio quadrado de TMA 0.32 X 0.32.

Barra Transpalatina de TMA - Burstone

Segundo ele, este sistema seria capaz de produzir forças para girar molares, expandir ou contrair molares ou segmentos dentários, angular e dar torque nos molares, além de servir de ancoragem.

Como vantagem deste método, temos uma menor força colateral e uma melhora da qualidade, por ser prático e eficiente. Além do fio de TMA ser mais flexível, reduzindo a força necessária em cerca de 60%, pode ser defletido posteriormente sem deformação permanente e ainda aceita solda para fixação direta de molas digitais.